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Morro Azul (Flamengo)
Os moradores contam três histórias para explicar a origem do nome. Nenhuma delas definitiva. A primeira fala sobre um certo Bar Azul que teria existido no principal acesso ao morro. Outros garantem que o sol forte de verão ao bater numa pedra no alto da comunidade libera uma fina camada de vapor. De longe, o fenômeno daria a impressão do céu azul refletido no chão. A versão mais aceita, no entanto, é a de que o nome seria uma referência direta ao palacete de cor azul que existe até hoje no topo do morro. Localizada exatamente na entrada da favela, a casa seria usada como ponto de encontro para os primeiros moradores.
Babilônia (Leme)
A vegetação nativa, com muitas árvores e flores, além da vista privilegiada para o mar de Copacabana, teria inspirado os primeiros moradores a compararem o local aos míticos Jardins Suspensos da Babilônia. Não há consenso sobre essa versão. A própria Associação de Moradores fez uma pesquisa recente, mas não conseguiu chegar a uma versão definitiva.
Catacumba (Leblon) - extinta
Removida em 1970, durante o governo Negrão de Lima, a favela da Catacumba chegou a ter população superior a 10 mil pessoas nos anos 60. Por causa de sua localização, com vista privilegiada da Lagoa Rodrigo de Freitas, a comunidade foi alvo de especulação imobiliária e cedeu lugar para prédios de luxo. Pelo mesmo motivo, foram extintas também nos anos 60 as favelas da Praia do Pinto, da Macedo Sobrinho e da Ilha das Dragas, todas na região da Lagoa.
Segundo arquivos da Biblioteca do Serviço Social do Município do Rio de Janeiro, o terreno onde existia a Catacumba foi ocupado por uma chácara durante todo século 19. Sua antiga proprietária, a Baronesa da Lagoa Rodrigo de Freitas, transferiu a posse das terras para seus escravos.
Mas a explicação do nome Catacumba tem origem em tempos ainda mais remotos. Segundo os antigos moradores da favela, o local foi usado pelos índios como cemitério. No entanto, nunca houve confirmação sobre possíveis esqueletos encontrados na região.
Por volta de 1925, o Estado dividiu a Chácara das Catacumbas em 32 lotes. Os primeiros barracos da futura favela começaram a ser erguidos ainda nos anos 30. Mas a explosão demográfica só aconteceu mesmo na década de 40, com a chegada de uma leva de migrantes vindos, principalmente, do estado do Maranhão.
Em 7 de agosto de 1967, o Jornal do Brasil descreveu assim o cotidiano na favela:
"Às cinco horas da manhã, a Catacumba começa a despejar seus moradores. Copeiras, cozinheiras e babás descem as escadarias, saindo para as 'casas das madames'. Trabalhadores (grande número de operários em construção) formam filas nos dois pontos de ônibus ou caminham a pé, em direção de Copacabana, Ipanema e Leblon. Um pouco mais tarde, o pessoal que desce o morro já tem outro aspecto: é a hora dos funcionários públicos, das crianças que vão para a escola e da grande movimentação das lavadeiras, que saem de casa cedo, para aproveitar o sol fraco da manhã, para a lavagem e, depois, o sol mais forte, para secar a roupa".
A Catacumba tinha 15 acessos e cerca de 1.500 barracos, a maioria de madeira. Não existia serviço de água potável na comunidade. Para 89% dos moradores, o dia começava cedo nas 15 bicas públicas que existiam já perto do asfalto.
Seus moradores foram removidos para conjuntos habitacionais do subúrbio, entre eles, Vila Kennedy, Cidade de Deus e Guaporé-Quitungo.
Chapéu Mangueira (Leme)
Nos anos 40, quando o terreno da favela ainda era todo coberto de mato, foi colocada na subida do morro uma placa que dizia: "Breve neste local, Fábrica de Chapéus Mangueira".
A fábrica nunca foi construída, mas a placa ficou no local durante muitos anos, dando origem ao nome. A sede da Fábrica de Chapéus Mangueira ficava na subida do Morro da Mangueira, na Rua Visconde de Niterói, em Benfica.
Cantagalo (Ipanema)
Quando foram construídos os primeiros barracos do Cantagalo, nos anos 30, o clima no morro ainda era rural, com ares de cidade pequena do interior. A maioria dos moradores cultivava pequenas hortas para subsistência. Muitos criavam galinhas. Como um deles na época tinha uma enorme criação de galos, o nome acabou pegando: "Lá onde canta o galo". Não há consenso sobre a história.
Muitos moradores hoje chamam a favela apenas como "Galo". O próprio sambista Bezerra da Silva, filho ilustre, canta na música Aqueles Morros: "Gosto de todos, mas o Morro do Galo que é meu lugar".
Rocinha (São Conrado)
Os primeiros moradores da Rocinha começaram a se estabelecer nas terras da antiga fazenda Quebra-Cangalha por volta de 1930, quando toda a área onde antes existiam grandes engenhos de açúcar foi repartida em pequenas chácaras. Os produtos cultivados pelas famílias que se fixaram ali – a maioria invasores que haviam perdido tudo com a crise do café em 1929 - eram colocados a venda na feira da Praça Santos Dumont, que na época abastecia toda a Zona Sul carioca. O nome Rocinha, no entanto, só começaria a ser usado em meados dos anos 30. Segundo os moradores mais antigos da favela, quando os fregueses perguntavam de onde vinham as frutas e legumes vendidos na Praça Santos Dumont, todos diziam que era de uma tal "rocinha" no Alto Gávea. E o nome acabou pegando.
Considerado atualmente o primeiro imóvel construído na Rocinha, a casa número 1 da Estrada da Gávea chegou a ter suas obras embargadas pelo prefeito Pedro Ernesto em 1932. Segundo ele, os moradores teriam se apropriado indevidamente do terreno. Mas a lentidão no julgamento do processo acabou incentivando novas invasões nos anos posteriores. Surgiram assim os primeiros barracos de madeira na região.
(O pequeno sobrado na Estrada da Gávea que deu origem à Rocinha foi transformado em Centro Cultural em 2003 por decreto do ministro da Cultura Gilberto Gil).
A Rocinha chegou a ser conhecida como a maior favela da América Latina nos anos 80. Segundo cálculos da época, cerca de 200 mil pessoas moravam no morro. Os números atuais, mais realistas, colocam a Rocinha ainda como uma das maiores favelas do Rio com pouco mais de 50 mil moradores (Censo 2000).
O período de maior crescimento aconteceu durante o ‘boom’ imobiliário dos bairros de Ipanema, Leblon, Gávea e Jardim Botânico nos anos 50 e 60, quando milhares de nordestinos se fixaram na favela atraídos pelas oportunidades na construção civil.
Outras fontes na favela dizem que o nome Rocinha seria uma referência à uma antiga moradora, muito branca, com cabelos quase louros, apelidada de "russinha". Por ser muito conhecida na região, as pessoas falavam: "vou lá onde mora a russinha".
Santa Marta - também chamado de Dona Marta (Botafogo)
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| Capela (E) no alto do Santa Marta |
Os moradores se referem à favela como Santa Marta por causa da imagem da santa homônima guardada até hoje numa capela na parte mais alta do morro. A imagem teria sido levada para lá por uma antiga moradora ainda no início do século 20. Ela costumava rezar na localidade conhecida atualmente como Campinho do Pico. Com a chegada do Padre Veloso, nos anos 30, foi construída ali uma pequena igreja para abrigar a imagem e também servir como local de descanso.
A confusão com o nome começou quando a mídia passou a se referir à favela como Dona Marta nos anos 80, por causa do mirante homônimo que existe no alto do morro. Somente os moradores que pertencem à religião evangélica – e portanto não acreditam em santos – chamam a comunidade de Dona Marta. Por causa do crescimento do movimento evangélico nos últimos anos, a forma como a favela é chamada representa hoje uma disputa de poder relevante dentro da comunidade.
A origem do nome Dona Marta é antiga. Por volta de 1680, um padre chamado Clemente comprou as terras do atual bairro de Botafogo batizando um dos morros que circundavam suas terras em homenagem à sua mãe, Marta, que morreu anos antes perto dos cem anos. Daí o nome Dona Marta. Foi também o padre Clemente que ordenou a abertura de uma via ligando a enseada de Botafogo até sua capela, na atual Rua Viúva Lacerda, no Humaitá, posteriormente batizada como Rua São Clemente, hoje uma das mais importantes do bairro.
O terreno ocupado atualmente pela favela pertencia ao Colégio Santo Inácio. Seus primeiros moradores foram abrigados ali pelo Padre José Maria Natuzzi. A maioria era formada por famílias pobres contratadas para trabalhar na ampliação da igreja do colégio ou agricultores que migraram para o Rio vindos do Vale do Paraíba após a crise do Café de 1929.
Vidigal (Leblon - São Conrado)
O nome Vidigal era sinônimo de poder no Rio de Janeiro do Primeiro Império (1822-1831). O major de milícias e cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, Miguel Nunes Vidigal, por exemplo, foi um dos homens mais influentes da cidade no século XIX. Por causa disso, recebeu presentes diversos ao longo da vida. Alguns deles bem valiosos, como o enorme terreno aos pés do Morro Dois Irmãos, exatamente onde hoje existe a favela. O major recebeu o agrado de monges beneditinos por volta de 1820. Daí a origem do nome Vidigal, que batizou primeiro a praia e depois a favela.
O terreno ficou em mãos de herdeiros do major Vidigal até 1886, quando foi comprado pelo engenheiro João Dantas. Seu sonho era construir ali o ponto de partida de uma linha férrea que seguiria até o litoral sul fluminense. João Dantas gastou todo seu patrimônio na empreitada, que no final acabou não virando realidade mas serviu como base para a construção da atual Avenida Niemeyer, que liga os bairros do Leblon e São Conrado.
Os primeiros barracos do Vidigal começaram a ser construídos na década de 40. No início, a comunidade era conhecida como Favela da Rampa da Avenida Niemeyer. A explosão demográfica no local aconteceu nos anos 60 junto com a urbanização dos bairros do Leblon e Ipanema.
Em 1968, foi iniciada a construção do Hotel Sheraton, um dos cinco estrelas mais luxuosos da cidade. A companhia que operava o hotel ainda tentou privatizar a praia mas os moradores da favela ganharam na Justiça o direito de frequentá-la.
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