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| Marina recolhia água da bica no pé do morro |
Marina dos Santos, 70 anos, está sempre de bem com a vida. Dona Marina, como é chamada, saiu do Sergipe aos 24 anos para “tentar a vida no Rio de Janeiro”. Flamenguista doente, é fã de Leonel Brizola – que levou água, luz e saneamento básico para o morro.
Sua primeira moradia foi na casa da mãe, no Complexo do Alemão. A casa ficava no terreno onde hoje existe a fábrica de roupas Poesi, já desativada. Ali Dona Marina criou seus sete filhos, “só com a ajuda de Deus” e dos moradores, que unidos batalhavam pela construção das casas de alvenaria na favela.
Afinal, há 56 anos, lembra Dona Marina, quando chegou ao morro, o Alemão era quase que só mato. Barraco praticamente não havia. Na época, trabalhava como doméstica numa casa na Zona Sul carioca. Hoje, mesmo sem qualquer fonte de renda, “leva vida de madame”, como gosta de dizer. Quem a sustenta são os seis filhos vivos.
Do Sergipe para o Alemão
“Quando vim para o Rio de Janeiro fui trabalhar em Laranjeiras (Zona Sul) como empregada doméstica. Minha irmã já morava aqui e vim morar com ela. Foi nessa época que arrumei esse big namorado. Namoramos e noivamos aqui. Já o casamento foi lá no meu lugar – cidade natal”.
“Aqui tinha muito mato. Tinha também uma pedra enorme no meio do caminho. Havia mangueiras, um pinheiro, mas casas eram poucas. Quando a gente chegou aqui era morro da Alvorada, essa rua aqui era Rua do Abacate, agora é Rua da União. O povo chama aqui morro da Alvorada, não chama morro do Alemão não, aqui também se chamou morro dos Coqueiros. Minha casa era de madeira e nela morava eu, minha mãe, Lurdes que é minha irmã, minha sobrinha, a Prazeres, a Selma e o Julio. Depois foram nascendo os outros. Água não havia nas casas, era só um bicão (bica coletiva no pé do morro) onde todos pegavam água carregando em latas até suas residências, muitas vezes varavam a noite para encher os latões e vasilhames. Eu ficava encarregada de encher os latões. Para a gente comer tinha que encher os latões dos vizinhos”
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| Nas reuniões de família, se festeja o Flamengo |
“A gente ficava aqui sem luz. Quando chovia era um lamaçal que ninguém agüentava. Depois o povo fala que dia 13 de agosto é dia de azar, mas para nós foi a felicidade da gente. No dia 13 de agosto, o Brizola e o Saturnino entraram aqui e marcou para colocar água e luz. Graças a Deus estamos aí com luz, com água, mandaram fazer a rua, que era tudo lama. Esgoto não tinha, era tudo vala a céu aberto, Deus me livre, agora esta tudo direitinho. Posto de saúde sempre teve a Sandu de Ramos que é um posto de saúde antigo”.
Infância no sol quente
“Ih, minha filha, minha infância não foi de brincadeiras não. A gente trabalha na roça com um sol quente que a gente chegava a desmaiar. Sentíamos sede sem ter água para beber. A gente ia de manhãzinha, chegava no trabalho não tinha nem o que lanchar e então levávamos farinha, banana, laranja. Meu pai largou minha mãe logo cedo, com sete anos eu já não tinha mais esse negócio de pai dentro de casa.
Minha mãe teve uma vida dura igualmente a minha. Depois escapulimos para cá. Eu vim na frente depois voltei e peguei minha mãe com minhas irmãs. Infância eu não tive, agora, depois de eu mocinha... grande eu nunca fui. Minha altura? Eu tinha um metro e sessenta. Depois de velha fiquei com 1,30. Há! Há! Há! Uma vez eu medi disseram-me que era 1,60. Depois eu comecei a trabalhar em casa de família, olha, eu era tão pequena que subia em uma cadeira para fazer as coisas. Gostava muito dessa patroa de Laranjeiras. Ela morreu e só tem uma filha que mora pelos lados do Flamengo.
Nessa época brinquei muito. Antigamente as férias escolares eram 3 meses e a gente ia para uma fazenda com a patroa. Ela era muito boa, Deus já levou ela. À tarde, quando os empregados prendiam o gado, a gente ia andar a cavalo, a gente corria, ia andar de bicicleta, uns iam para a praia. Eu era a goleira do futebol das meninas. Depois que vim para cá, no Alemão, comecei a ter família e não teve mais saída.”
Ex-goleira, montou time de futebol
O fanatismo de dona Marina pelo Flamengo, mais popular clube de futebol carioca, é conhecido no Complexo do Alemão. Sua história com o futebol não é de hoje: ela foi goleira num time feminino em sua cidade natal e ensinou os filhos a jogar bola. Chegou a formar um time infantil que incluía até a garotada da vizinhança.
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| Cores do Flamengo decoram a casa: da colcha de cama aos copos |
O quarto de Dona Marina é um deslumbre para qualquer flamenguista, já que é tomado por símbolos e objetos do time. Dentre eles, há canecas, relógios de parede e de pulso, canetas, bonecas vestidas de Flamengo, chaveiros de todo tipo, bonés, fotos, recortes de jornais e revistas, fotografia da família vestida com a roupa do time.
Mas os símbolos não estão apenas no seu quarto - espalham-se pelas paredes e portas da casa, pelos armários, televisão, telefone. Há lençóis, toalhas, e até a embalagem do macarrão traz o nome e o escudo do Flamengo. Nas festas organizadas por ela o tema não poderia ser outro. E seus convidados, claro, vão todos vestidos a caráter.
Paixão nasceu em Sergipe
“Paixão por futebol foi há muito tempo, lá no meu lugar. O nome do time era Propiá. Todo domingo eu ia assistir futebol. Fazia um vestido todo rodado azul e branco da cor do time. Depois vim para cá e começou esse negócio de mengão pra lá, mengão pra cá e eu fui no embalo. Olha, mas eu gosto muito do Flamengo, menina, quando o Flamengo perdia eu ficava que só faltava morrer. À noite acordava e tomava aquele susto, mas agora já estou me conformando. Também, já não estou mais em idade de estar me preocupando com o que não me interessa.
Até o Brasil já deixa a gente de orelha em pé. Ensinei aos torcedores daqui como é que se torce para o time. Os torcedores do Vasco, do Botafogo, quando o time começava a perder, tiravam a bandeira. Eu não! O Flamengo perdia, eu botava a blusa e saía como uma doida por aí e com isso eles foram se acostumando. Agora já usam também a camisa, mesmo se o time perde.
Já briguei muito por causa do Flamengo, agora eu não brigo mais com ninguém. Mas gostar, eu gosto muito, e a família toda, só Roberto, o filho mais velho, é Fluminense. Mas quando não esta jogando o time dele, tem uma puxadinha pra cá”. O filho, Roberto dos Santos, 43 anos, interrompe para dizer: “Quando o Flamengo está jogando até torço para ele ganhar só por causa dela.” Além de Roberto, Dona Marina tem mais cinco filhos vivos.
Prole de torcedores
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| Filhos formam um time unido |
“O negócio é que eles iam nascendo e criança é que nem papagaio - acabavam de nascer eu botava na toalha do Flamengo e tirava retrato e aí eles iam acompanhando. O mais velho, por causa da minha situação, nos finais de semana ia para a casa da madrinha e lá botaram ele para torcer para o Fluminense. Mas o resto é tudo Flamengo, olha meus netos todos, as noras, todos que vêm para cá. Se não forem, acabam virando flamenguistas.
Quer saber o que chamo de vida dura? Vida dura porque criei meus filhos só com o meu pai do Céu, né? Ele é que deu força para mim e dava para eles também. Criei estes meninos, parece que Deus estava vendo que eles tinham de ser o que eu queria, criei eles, não foi eles pedindo nada aqui e aculá não. O material de construção da maioria destas casas aqui, foi eu com eles. Nunca deu para eu me empregar, por causa dessa meninada toda sem pai, tinha que me virar de alguma forma. Aí, a gente carregava material para a construção das casas dos outros. Olha, era areia, água, porque naquela época não havia água encanada nas casas, tijolo, gás, tudo era a gente que botava aqui para cima, e as pessoas nos pagavam.
Uma vez uma vizinha pediu para eles irem para feira, catar resto, né? Aí eu fiquei pensando: ‘deixar estes meninos pegar restos na feira, daqui a pouquinho o feirante vai estar despachando a freguesa e eles vão pegar na banca. Quando crescer, vão achar que a vida é fácil e não vão querer trabalhar’. Então, cheguei para a vizinha e falei: ‘Meus meninos não vão mais não’. Eu fazia carreto na feira, um dia eu fui e os vi se esforçando para arrumar freguês sem ter. Aí eu fiquei com pena e tirei, eles foram crescendo e eles sempre diziam: ‘Mãe, quando a gente crescer tudo melhora’.
De manhãzinha, quando eu me acordava eles já estavam na bica com as latas para pegar água para os fregueses e Deus dando força. Eles nunca reclamavam. Eu sempre falava: ‘Olha, vocês não são aleijados, podem fazer mandado para todo mundo. Quando vocês crescerem vocês tirem seus documentos e mostra (sic) para todo mundo que vocês são homens iguais a esses outros aí que têm pai, têm mãe e tio tudo aí ajudando’. E assim eles fizeram. Eu avisava: ‘Vício só quando vocês estiverem trabalhando’. Graças a Deus só quem bebe são dois, e mesmo assim socialmente, nos finais de semana, num papo com os visinhos. A minha vida foi essa aí.
10 times de meninos
“Sou flamenguista faz muito tempo, muitas coisas eu já deixei para trás, não sei o motivo. Tenho muita vontade de ver pessoalmente o Zico, Junior, Zinho, Romário, Felipe e o goleiro Raul. Se encontrasse pelo menos com um deles já ficaria satisfeita”. “Minha mãe até já desmaiou por causa do Flamengo, isso foi bom porque contagiou a gente”,diz o filho Renato. “Depois dos filhos é a melhor coisa para ela”, diz o filho Roberto.
“Se eu tivesse a oportunidade de mandar um recado para os jogadores do Flamengo eu falaria o seguinte: ‘Pelo amor de Deus, quando for jogar, jogue sério porque o coração da velha aqui não está agüentando mais não. Eu acompanho esse time há muito tempo. Tenho os recortes de jornais todos guardados. O miojo (macarrão) do Flamengo, eu vi na mão de um garoto, fui correndo lá e comprei. Os colegas sabem que sou flamenguista doente, quando vêem qualquer novidade do Flamengo trazem para mim. Eu mesmo já falei: ‘De dez reais para baixo compre que quando chegar em casa eu pago’.
“Sempre gostei de organizar os times de meninos bem bonitinhos: colocava neles uma blusa e gritava muito. Os outros times que jogavam sem camisa passaram a usar camisa também”.
Conta um dos filhos que houve uma época que sua mãe possuía 10 times de meninos. “Os pais estão desistindo muito cedo de seus filhos. Antigamente se mantinha mais os filhos debaixo das asas. Hoje todos têm uma profissão, era um pão doce para dividir para meia dúzia. Se não tivesse nossa mãe ali... Hoje os pais querem substituir a falta de tempo e o afeto que tem com os filhos, fazendo todas as vontades, muitos pais têm medo de dizer não para o filho”, diz o filho Renato.
Minha vida de madame
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| Muros vizinhos formam corredor de entrada |
“Hoje estou como madame só esperando o que os filhos me dão. Comigo moram os filhos Aparecida, Ronald e minha neta Roberta, de 4 anos. Muita coisa mudou e agora eu tenho minha televisão, meu radinho... em vista do eu era me sinto como a minha patroa antigamente, entende? Tenho minha casinha pequena, mas agradeço a Deus mesmo por ter estes filhos que estão me sustentando aí”.
Enchente de 1960
“Aquela enchente... começou a ter uma chuva de gelo que eu nunca tinha visto. A gente ficou com medo e corremos para casa de uma vizinha. Renato era pequeno. E falou: ‘Mãe quando eu crescer a gente vai fazer uma casa para a senhora’. Isso foi numa época de carnaval. Diz o povo, eu não vi não, mas dizem que passava as cabeças do povo que estava se afogando. Teve o Carnaval, mas não teve aquele que repete no sábado. Eu fiquei muito amedrontada. Aqui não enche porque, graças a Deus, quando chove escorre logo tudo, de primeiro enchia na Grota, mas fizeram uma vala lá que melhorou”.
Primeiros amigos
“Meus primeiros amigos na favela foram minhas irmãs, esta vizinha aqui do lado, uma comadre que tenho, a Lourdes, e todos os meus vizinhos próximos. Eu não sei dizer os primeiros.” Se já perdeu algum amigo do peito? “Ave Maria!!! Já. Há pouco tempo perdi uma que não fui nem ao enterro. Me deu uma depressão que fiquei com medo de tudo, esqueci de um bocado de coisa também”.
“Os vizinhos são muito bons. Me dou com todos eles e não tenho nada a dizer não. Compadres são poucos, tenho é muitos afilhados. Sou madrinha de minha sobrinha, com isso todos os sobrinhos que vão nascendo e os seus colegas vão me chamam de madrinha também”.
“Ter vizinho é um entender o outro, quando acontecer de se desentender reconhecer que errou e dizer: ‘Olha, o negócio é o seguinte, é melhor a gente fazer as pazes que a gente errou, moramos todos num local só, somos vizinhos, e acabar tudo em paz’. Eu que tenho coração mole, caio logo, né? Ha, ha, ha!”
Toda vela é válida
“Toda vida nós fomos católicos. Agora, tenho uma filha que é da Assembléia de Deus. Olha, esse negócio de religião, no meu pensamento, é assim: ‘Onde tem a palavra de Deus toda vela é válida, mas cada um escolhe o que quer. Tanto faz macumba ou católica ou essa Universal’. Eu mesma sou católica, mas também andei indo à Universal, porque quando eu tive ruim, Penha, minha filha, me levou lá e fizeram umas orações. Comigo não tem esse negócio não. Onde tem a Palavra de Deus eu estou”.
Nada como um forró
“Ah! Eu gosto muito de brincar, gosto muito de forró, gosto muito de festa. Aqui todo fim de mês tem uma farra. Junta a meninada toda... No dia dos Pais chamei um bocado de pai, que não tem pai por aqui, cada um trouxe um quilinho de uma coisa, fizemos uma festa. A minha vida é essa, o meu negócio é viver na paz, sabe? Esse negócio de viver brigando com o vizinho e querer guardar aquilo... brigar, todo mundo briga, mas aqui pouca gente bota a mão na consciência.
Aquilo já passou, vai lá e pede desculpa. Antigamente eu falava com as crianças: ‘Olha, eu não falo com fulana de tal, porque ela me agrediu. Agora, vocês podem. Quando ela vier com uma bolsinha, pega a bolsinha da dona, leva lá, não tem nada a ver. Esse negócio de eu ficar com raiva da pessoa e vocês também já ter ódio, não é assim não’. Depois cá eu me corrijo e vejo, às vezes, o erro é até meu também, né?”
“Meu lugar preferido? (pausa) Não saio daqui, eu não sou de sair mesmo. Às vezes que eu vou para Aparecida do Norte em excursão. Toda vida fui assim mesmo, quando a gente é jovem é uma coisa, ainda procura uma brincadeira, mas depois a gente não liga para essas coisas. Forró ainda danço. Festa da comunidade, só as juninas”.
“Se fosse contar a história da comunidade, não poderia deixar de falar nas festas que se organizavam em tempo de São João. Eu fazia fogueira, fazia arraial, enfeitava a rua e os vizinhos unidos colaboravam. Sempre fomos unidos. Aproveitei que estavam fazendo cadastro das ruas e colocando nomes para colocar o nome da rua de Rua da União”.
Violência? Tô fora...
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| Testemunha da história do Alemão há mais de 50 anos |
“Olha, você sabe que desta (violência) estou fora, porque eu acho que depende muito das pessoas. Se as pessoas não quiserem entrar na violência, só pensar no bem, só aparece bem. Agora, se a pessoa procurar o mal, minha filha, não tem jeito não”.
“Sou uma pessoa que não gosta de exigir nada, para mim tudo está bom, mas, se puderem botar um posto médico, ter mais organização aí nesta Vila Olímpica, para todo mundo usar, eu gostaria muito. Nunca tive envolvimento com associação de moradores, não sei muita coisa Só sei que teve o senhor Vieira como presidente muito tempo, depois o Joel, a Zilda, e agora o Renato.
Acho que esta comunidade não tem nada de diferente das outras porque não ando em outra (risos). O que mais mudou aqui foi a transformação do caminho, porque havia uma pedreira, o caminho era estreito. Mas tiraram a pedreira, abriram rua, construíram muro de fora a fora, uma Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), que graças a Deus, mesmo depois de 20 anos, tirou aquele lixo que ninguém mais agüentava, construíram uma vila olímpica... No mais, não saio para lugar nenhum, só aqui mesmo, é da igreja para casa, da casa para igreja”.
“Aqui era favela porque as casas não tinham número, não tinha nome de rua, mas agora está bom: as casas têm número e nome de rua e as pessoas se acham cidadãs, né? O morador da favela quanto mais faz, mais quer. Não procuram entender que quem sabe fazer faz e eles só sabem falar, botar defeito em tudo”.
Elixir da juventude
“Nem sei responder o que é ser velho na favela porque fiz 70, mas ninguém acredita. Vivo ouvindo o povo dizer: ‘Ah! Você esta muito nova. Ah, mas você faz isso ainda?’ Quer dizer, eu ainda não me senti idosa com 70 anos. Me sinto meio cansada, mas pelas carreiras que dou, o jeito de andar, o que faço todo mundo se admira.
Eu tenho pra mim que o que dá energia é a gente não viver com ódio de ninguém, entender as coisas de dentro de casa, entender os vizinhos e saber viver, brincar, como eu gosto de brincar, isso tudo é saúde. Aquela pessoa que só pensa para baixo: ‘Ah, eu vou morrer amanhã. Ah, é isso e aquilo. Ah, eu estou com tantos anos’. Tudo isso vai prejudicando a pessoa. Eu trabalhei em casa de família, eu andava de bicicleta, eu corria, quer dizer, eu me criei com meu corpo leve, se dou um escorregão, dou um pulo vou cair lá. E muita gente leva um escorregão, cai toda esborrachada, né?
Um desejo
“Se pudesse gostaria de ajudar muita criança, faria muitas festinhas para as crianças, tudo que pegasse repartia com elas. Só isso, mas falta ‘tutu’”.
Bate-Bola
Getúlio Vargas – “Quando ele morreu, eu estava com 20 anos, não tinha muito conhecimento, morava no Norte. Lembro que eu trabalhava e vi chegando uma comadre minha chorando. Perguntei o que aconteceu. Ela respondeu: ‘Ah, nosso pai morreu’. Não entendia muito de política ainda. Tinha muito comício lá, pelo o que vejo aí ele foi uma boa pessoa, porque foi ele que fez esse negócio de salário, carteira assinada, essa coisa toda. Vejo falar muito bem dele e eu vou nessa também, né?
Lacerda – “Estes políticos... Como eu falei, esses políticos antigos era tudo de quando eu não era entendida ainda”.
Leonel Brizola – “Ah, Leonel Brizola foi bom. Foi quem botou essa luz aqui para a gente”.
Pílula anti-concepcional – “Como é que é? O que tem? É coisa aí que os sabidos inventaram. Muita criançada jogada fora também se sair não adianta que ninguém pode criar.”
Ida do homem á lua – “Eu não sou muito a favor, porque depois que eles começaram a mexer lá pra cima, o negócio arruinou, querem saber mais que Deus, né? Na minha mente é isso que penso.”
Golpe Militar – “Já ouvi falar, mas não entendo muito.”
Nazismo e Segunda Guerra Mundial – “Estou por fora! Nem cheguei a conhecer, já ouvi falar.”
Jerry Adriani – “É um bom cantor, mas não é dos meus”
Comunismo – “Ouvi falar aí, mas estou por fora.”
Vinda do Papa Para o Brasil – “Eu vi pela televisão.”
Bin Laden – “Esse negócio desse homem aí que eu nem vou dizer o nome para não dizer um palavrão, esses negócios desses estrangeiros pra lá, estou por fora.”
Bossa nova – “Eu gostava muito, tem um bocado de cantores daquela época que eu adorava, mas o tempo vai passando... Eu adorava a cantora Linda Batista, Arlindo José, a Ângela Maria, quem é a outra? Agora eu nem me lembro.”
Guerra Fria – “Não ouvir falar nem quente, quanto mais fria (risos)”.
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